Pronto a exportar? Os passos antes do “grande salto”

A Meia Dúzia, empresa portuguesa presente em 15 países, partilha a experiência

Existem várias preocupações a considerar no momento de exportar. Saiba quais são através da experiência de uma empresa que já chegou a quinze países.

O primeiro passo para exportar com sucesso é assumir o compromisso de o fazer“, defende a AICEP. Num cenário de crescimento das exportações, importa às empresas saber qual o caminho para o sucesso além-fronteiras.

Exportar não é simplesmente pensar nos canais através dos quais o produto pode chegar lá fora. “Cada destino tem a sua especificidade, a suas características, e hábitos culturais, mas mais do que isso exigências regulamentares que exigem a adaptação do produto sempre que iniciamos o processo“, conta Jorge Ferreira Silva, da Meia Dúzia, empresa que se dedica a vender compotas em bisnagas.

Da sua experiência, que se estende a quinze países espalhados por três continentes, Jorge tirou algumas lições chave. “Apresente um produto ou serviço único ou diferente do que o resto do mercado apresenta“, aconselha o empresário. “Seja paciente e flexível para cada mercado. Os negócios internacionais demoram muito tempo a aparecer e necessitamos de investir com qualidade no que fazemos”, garante.

Já a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), aponta como essencial uma análise tanto das vantagens competitivas da empresa exportadora como da competição, de forma a “tirar partido das fraquezas dos concorrentes”. Antes de chegar aos novos mercados, esta entidade aconselha ainda a fazer um balanço em termos de vendas e contactos internacionais, a disponibilidade da equipa, a capacidade de produção e claro, o capital necessário.

Quanto às dificuldades que se podem esperar, o “reconhecimento da marca em mercados externos foi um trabalho difícil de alcançar” assume Jorge, “bem como a legalização dos produtos em mercados como Médio Oriente e América do Sul”.
A primeira exportação da Meia Dúzia foi para Espanha. Este é de facto um dos destinos mais populares entre as empresas portuguesas pela proximidade geográfica. De 2000 a 2016, o “país vizinho” partilhou este destaque com o Reino Unido, França e Alemanha, nota o INE.

Contudo, outros países têm ganho protagonismo na lista dos quinze que melhor acolhem os produtos portugueses, como o Brasil, a Polónia e a China. A AICEP aponta ainda os PALOP como opção “natural”, pois são países com os quais “Portugal mantém uma importante tradição comercial”.

Na altura de montar a estrutura, o transporte será uma das preocupações mais imediatas. Ana Gonçalves, business diretor na empresa de logística e transporte Euroatla, assinala que quase 100% das exportações para Espanha são feitas através de transporte terrestre. Mas “à medida que aumentam as distâncias aumenta a predominância da via marítima. O transporte aéreo faz-se normalmente para cargas urgentes, ou de alto valor, ou para determinados produtos perecíveis”.

Os serviços de transporte, como suporte, são normalmente externalizados. Da perspetiva de Ana Gonçalves, “a tendência é que as empresas se dediquem cada vez mais ao seu core business” mas ressalva que “é aconselhável a externalização desse serviço a um parceiro logístico, sempre e quando esse parceiro seja fiável e tenha um bom entendimento do negócio do seu cliente”. No caso da Meia Dúzia, os operadores logísticos são muitas vezes identificados pelos próprios clientes.


04/12/2017

Fonte:AICEP / ECO

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