Banco de Portugal: Boletim Económico de março de 2020

Cenário base estima uma redução de 3,7% do PIB real em 2020.

O Banco de Portugal publicou hoje o Boletim Económico de março de 2020. Este Boletim atualiza as projeções para a economia portuguesa relativas ao período 2020-2022.

Os dados anunciados indicam que a economia portuguesa vai entrar em recessão em resultado do impacto da pandemia Covid-19. Esta pandemia corresponde a um choque económico adverso com efeitos muito significativos e potencialmente prolongados no tempo em termos do bem-estar dos cidadãos e da atividade das empresas.

Devido ao cenário de incerteza e complexidade que caraterizam este exercício de projeção, não foi possível ao Banco de Portugal apresentar um cenário mais provável para a evolução da economia portuguesa. Assim optou-se por elaborar dois cenários – um cenário base e um cenário adverso – com hipóteses diferentes sobre os efeitos económicos da pandemia a nível nacional e mundial. Segundo o Banco de Portugal, estas projeções procuram ter em consideração o potencial impacto das políticas adotadas pelas autoridades nacionais e europeias em face do choque.

Cenário base:

Este cenário assume que o impacto económico da pandemia é “relativamente limitado” e antecipa uma contração de 3,7%.

Ao nível do mercado de trabalho, a taxa de desemprego, que está atualmente na ordem dos 6%, irá subir para 10,1%, prevendo-se uma queda do emprego em 3,5%.

Prevê-se ainda que o consumo privado se reduza em 2,8% em 2020, depois de ter crescido 2,3% em 2019. Esta previsão reflete, por um lado, o aumento da poupança das famílias provocado pelo ambiente de grande incerteza que se vive e, por outro, a ligeira queda do rendimento disponível. Neste cenário esta queda é mitigada pelas medidas orçamentais anunciadas, antecipando-se um aumento significativo das transferências públicas para as famílias em 2020. No consumo público, estima-se um crescimento de 2,1% em 2020, superior ao de 2019 (0,8%), em resultado de um aumento significativo da despesa em saúde suportada pelas administrações públicas.

A formação bruta de capital fixo deverá cair 10,8%, devido à forte redução do investimento empresarial. A incerteza irá condicionar o investimento das empresas.

Com a recessão quase certa a nível mundial, as exportações de bens e serviços vão descer marcadamente, diminuindo 12,1%, assim como as importações que também se reduzirão de forma significativa (-11,9%). Este impacto será sobretudo sentido nas exportações de turismo e transportes que serão “fortemente afetadas pelas limitações à movimentação de pessoas e deverão registar uma queda acentuada”. Como a evolução das exportações e das importações é semelhante, as contas externas deverão continuar positivas também num ano em que beneficiarão da diminuição do preço do petróleo.

Cenário adverso:

Este cenário assume que o impacto económico da pandemia é mais significativo devido à paralisação mais prolongada da atividade económica em vários países, conduzindo a maior destruição de capital e perda de emprego. Prevê ainda, uma maior incerteza e níveis de turbulência mais significativos nos mercados financeiros. Neste cenário, a economia portuguesa regista uma recessão mais profunda, com o PIB a reduzir-se 5,7% em 2020.

Ao nível do mercado de trabalho, neste cenário, prevê-se o aumento da taxa de desemprego, para 11,7%.

No que diz respeito ao consumo privado, projeta-se que este diminua 4,8% em 2020. Estimando que as famílias reduzem mais significativamente as despesas de consumo num cenário de maior incerteza, caracterizado também por uma maior queda do emprego, níveis mais elevados da taxa de desemprego e condições financeiras mais desfavoráveis.

O cenário adverso incorpora uma queda de 14,9% na formação bruta de capital fixo.

As exportações encolhem na ordem dos 19,1% em 2020 neste cenário mais adverso. Da mesma forma, as importações deverão cair 18,7%. A queda simultânea das exportações e das importações permitirá também manter as contas externas positivas.

Neste cenário, haverá deflação em 2020. Prevendo-se que a taxa de inflação se situe em -0,1%.

O Boletim Económico de março de 2020 está disponível para consulta, na integra, em Anexos.

26/03/2020

Fonte:Banco de Portugal

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